terça-feira, 23 de março de 2010
Como se responde (?)
Ela – Porque é que usas sempre essa cor?
Eu - …
…
Como se responde algo a uma criança de 8/9 anos, se nem a nós próprios conseguimos responder?
segunda-feira, 22 de março de 2010
C. e Snow
Pergunto-me
Pergunto-me pela essência dos teus lábios
Pergunto-me qual o sabor dos teus beijos
Pergunto-me o quão serão quentes e macios os teus lábios
Se algum dia, as nossas línguas juntas dançaram num terno embalar de sentimentos
Pergunto-me se tu existes mesmo ou se és uma ilusão que desejo alcançar
Pergunto-me quantas serão as vezes em que em ti vou pensar e desejar não pensar, não me sentir baralhada, não sentir medo de te desejar… de te sentir.
Pergunto-me se tu, sim tu, se tu por momentos me podes abraçar… assim… junto ao teu peito, segurar-me firme nos teus braços e fazer-me sentir que tudo isto, simplesmente, acabou de começar.
domingo, 21 de março de 2010
... simplesmente vontade...
Ele – Diferente como?
- não sei… hoje sinto simplesmente vontade...
- de…?
- vontade de te beijar… vontade de sentir os teus lábios, o calor destes nos meus… de me sentar no teu colo, de frente para ti e ficar a olhar-te… nos teus olhos, de mergulhar neles, na imensidão do que sentimos um pelo outro… tenho vontade de sentir o teu toque, de ser abraçada, assim… num forte e longo abraço…
- eu não sei o que dizer…
- não precisamos falar com palavras… falaremos com gestos, com o toque dos nossos corpos juntos, humedecidos pelo calor das sensações… das nossas sensações…
- eu…
- não digas nada… deixa-me apenas sentir-te… ouve… isto não faz de mim uma mulher carente, faz de mim uma mulher com desejo… desejo de te sentir… desejo de te fazer sentir…
- eu sei (acaricias-me o rosto) não te estou a criticar pelo que dizes, aliás nem te estou a criticar… apenas a absorver-te… a ouvir-te e… não sei, se te estou a olhar assim, é só porque não sei o que te dizer… eu não…
- shuh… e se hoje colocasses uma musica? Uma musica suave… e a ela juntássemos o som dos nossos corpos enquanto se embalam numa dança descrita pelo amor? Com o palpitar em uníssono dos nossos corações acelerados?
-… (sorris e abraças-me)
-(sussurro-te) Enquanto te faço sentir a minha pele… em plena cumplicidade com a tua… a fazer-te sentir que nela há desejo… desejo de suavidade… de violência de paixão… de amor… abraça-me mais forte… faz amor comigo… com a cumplicidade da primeira vez e o fervor e paixão como se fosse a última…
conclusão ou fim da geraçao da mesma (?)
-Porque é que és tão vazio?
e, claro, após a mesma, pedi-lhe desculpa. sim talvez tenha sido um pouco rude ou talvez directa de mais... ou terei sido apenas eu (?)
agora, agora dou comigo a pensar, a chegar a conclusoes às quais ja tinha chegado e mesmo assim continuado na mesma plataforma...
nao é ele que é vazio... talvez seja eu a vazia... ou, simplesmente, talvez ele ajude-me a sentir assim... vazia...
e eu aqui continuo, vazia, mas firme :)
sábado, 20 de março de 2010
C de ...
C de céu
C de calor
C de constante
C de contente
C de conquista
C de coberto
C de cúmplice
C de caliente
C de chocolate
C de cinzento
C de castanho
C de cores
C de cansaço
C de camelo
C de cão
C de capricho
C de corpo
C de cama
C de caramelo
C de criação
C de compaixão
C de continuar
C de campeão
C de canto
C de Caixinha*
C de coração
C de cristal
C de copo
C de copiar
C de casa
C de carta
C de carinho
C de crepes
C de culpa
C de castelo
C de cavalo
C de cavaleiro
C de cara
C de cd
C de comboio
C de computador
C de carro
C de corsa*
C de completa
C de cumprir
C de caneta
C de cassete
C de camarão
C de carangueiro
C de carneiro
C de capricórnio
C de cabeça
C de cérebro
C de cabelo
C de comida
C de coelho
C de correr
C de cozinhar
C de comunicar
C de capitania
C de capitão
C de camarada
C de colar
C de carnaval
C de contacto
C de claro
C de casulo
C de…
sexta-feira, 19 de março de 2010
Hoje, sem duvida, que o dia falou por si.
Agora sim, pondo as brincadeiras de parte e os alugueres…O dia, acho que hoje, falou por si.
Tive, finalmente, a oportunidade esta semana de ir ver de perto, ou quase, quase muito pertinho, o veleiro Stavros S. Niarchos, que atracou no passado dia 17 no porto de Ponta Delgada.
Como qualquer veleiro, causou-me desejo de o explorar, de conhecer todos os cantos, de saber mais e mais deste. Como é óbvio, não me foi possível, mas, mesmo assim, a minha paixão por barcos, veleiros, barcas e por ai fora mantém-se.
Segundo o Jornal Diário, este veleiro “foi construído nos estaleiros de Devon, no Reino Unido, e é um brigue de dois mastros, com 493 toneladas e 60 metros de comprimento, tomando como modelo um veleiro do século XVIII.”.

Posto isto, no caminho para o carro apanhei uma molha, mas depois a chuva abrandou o que originou uma forte brisa, mas não no ponto de causar transtorno, pelo contrário, era uma brisa fresca, que elevava-me os caracóis, o que fazia com que estes me deixassem o rosto descoberto. Fiz o resto do caminho acompanhada pela brisa fresca, pelo céu azul a espreitar e pelo Snow.
Hoje fiz o almoço, o que não me custou nada. Cozinhar para mim nunca foi transtorno, pois anima-me e, modesta à parte, os meus cozinhados até que sabem bem, principalmente, as sandes de manteiga e queijo, ficam cá uma delícia. Vá… brinco, eu gosto de cozinhar, faz-me bem e acho que o empenho que dou de mim enquanto cozinho é o que torna o tal sabor especial. Mas, por norma, cozinhar com alguém ao meu lado que está sempre no “Blá blá blá… porque não fazes assim?... já meteste isto?... não é assim que faço! Blá bla blá…”… ok… eu faço à minha maneira, gosto de inovar, de experimentar, de arriscar a cozinhar uma receita que vejo na TV, num livro e dar-lhe um toque meu. Gosto de cheirar o aroma dos ingredientes, de provar coisas novas, novos sabores… simplesmente, gosto.
O que me fascinou hoje foram os meus caracóis, estavam tão únicos, tão lindos, fofinhos e macios. Tão meus…

Aproveitei e fui buscar o livro “Os Cadernos de Dom Rigoberto”, de Mario Vargas Llosa, da 7ªserie da Biblioteca Sábado, que não tinha ‘apanhado’ de início. Mas cá já conta :)
Hoje fartei-me de fazer tranças nas miúdas lá do lar e fiz uma estreitinha em mim também, nem tudo caracóis. Bem que tentei fazer uma no Snow, mas ele não quis, mas consegui fazer-lhe um totó pequenino, mas ele é enorme, quase que nem se notou, mas rimo-nos com isto.
No espacinho de tempo que ocorreu a meio do work, fui tirar umas fotos e, confesso, que me fez bem…



Fui ao blog “Quando se fecha uma Porta algures abre-se uma Janela.” e não esperava que o Sr. Jorge realizasse um post chamado “Ponto de Encontro.” e que nele colocasse o comentário que lhe fiz ao agradecer-lhe por ter ajudado no tal “Ponto de Encontro” entre a minha mãe e as suas amigas gémeas Clara e Madalena. Fiquei surpreendida e contente também.
E… também fui ao blog do P. e não estava à espera do post de hoje. Acho que hoje quem ficou sem jeito fui eu, sem jeito e sem palavras.
Ver as minhas palavras postadas num outro blog, mais a mais no do P., é que nem o Snow me contou nada. Mas gostei, Obrigada P. a* e a ti Snow, pelo dia :)
Dois pedaços d’alma reluzentes, muito reluzentes e mágicos.
Hoje, sem duvida, que o dia falou por si.

quinta-feira, 18 de março de 2010
Despertas-me...
Despertas-me vontade… uma simples vontade de me enroscar nos teus braços e deixar-me ficar…
Ficar a sentir-te
Ficar a ouvir… a ouvir-te a ti e só a ti… a tua respiração… ao palpitar do teu coração.
De olhos vendados…
De alma aberta…
Desperta-me
Desperta-me ainda no hoje…
quarta-feira, 17 de março de 2010
Ela

Ela pousou e voltou a levantar voo… voltou a pousar e a levantar…
Tentei aproximar-me em silêncio, tentei segurar-lhe, mas nem ela nem o vento permitiram…
E do nada ela desapareceu…
Voltei eu à conversa que tinha parado para poder tentar segurar-lhe.
Passaram-se vários minutos e dei com ela pousada no meio do caminho.
Temi, não queria que um carro lhe passe por cima…
Passou um carro… dois… mas mesmo assim por ela não.
Voltei a aproximar-me devagar e segurei-lhe.
Trouxe-a para casa e pousei sobre a flor do vaso que me foi dado…
E, ainda hoje, ela lá está…
Perfeita como se tornou, perfeita como ela própria o é…
Desvaneio...
sábado, 6 de março de 2010
Desafio #1
Questão 1: Tens medo de quê?
Do amanhã? Ou de voltar a ouvir? Mas também depende do que irei ouvir e ou de quem…
Questão 2: Tens algum guilty pleasure?
Acho que não.
Questão 3: Farias alguma loucura por amor/amizade?
Talvez, mas neste caso ia depender da “intensidade/valor” do sentimento.
Questão 4: Qual o teu maior sonho?
Acho que qualquer um deles está no mesmo grau de “altura”, pois estes são sonhados sempre quando estou acordada…
Questão 5: Nos momentos de tristeza/abatimento, isolas-te ou preferes colo?
Depende, mas na maioria das vezes isolo-me.
Questão 6: Entre uma pessoa extrovertida e uma introvertida, qual seria a escolha abstracta?
Mista, pode ser?
Questão 7: Sentes-te bem na vida, ou há insatisfação além do desejável?
Que vida? A minha? A que finjo ser minha? Ou a que os outros querem que seja minha? Ok, vai… ‘bastante de muita’ insatisfação, mas isto depende do dia e do temperamento do mesmo… e de mais algumas coisas.
Questão 8: Consideras-te mais crítica ou ponderada?
Mista, pode ser again?
Questão 9: Julgas-te impulsivo, de fazer filmes, paciente...? Define-te, de uma forma geral.
Todos nós somos um pouco das três, mas pronto… Depende, novamente, do dia, mas, por vezes, chego a ser um q.b. a mais de paciente com certas coisas/ pessoas.
Questão 10: Consegues desejar mal a alguém e, normalmente, concretizar? Sê sincero.
Desejar, sim, consigo, qualquer um consegue, mesmo que seja ‘inconscientemente/ espontaneamente ’, mas concretizar, nop.
Questão 11: Contens-te publicamente em manifestações de afecto (abraçar, beijar, rir alto...)?
Nop. (Ainda hoje soltei uma gargalhada no meio do passeio :X coff… coff )
Questão 12: Qual o teu lado mais acentuado? Orgulho ou teimosia?
Se fosse há uns anos atrás, dizia teimosia, agora, cada vez mais, vinca-se uma mistura de ambos.
Questão 13: Casamentos homossexuais e direito à adopção?
Sim e talvez…
Questão 14: O que te faz continuar o blogue?
Talvez por ser uma fuga das minhas palavras ou um mundo para elas (?)
Questão 15: O número de visitas e comentários influencia o teu blogue?
Nem por isso. Isto nota-se pelo número de comentários e de postes.
Questão 16: Na tua blogosfera pessoal e ideal, como seria?
A mesma (?) Acho que não mudava nada, simplesmente, a forma como está e se está é porque tem/ existe razão para tal.
Mas, concordo com o Saga quando este diz: “Porém, talvez fosse engraçado se as pessoas se tentassem conhecer para além do que lêem nos blogues e que os bloguistas não seguissem ou comentassem outros blogues apenas porque sim ou para obter seguidores também.”
Questão 17: Devia haver encontros de bloguistas? Caso sim, em que moldes? Caso não, porquê?
Sim. Talvez encontros, nem que fossem anuais, talvez a criação de um dia em concreto do “Bloguista (s)”, talvez este fosse o ponto de partida para algo mais. Apesar de não fazer ideia se este dia já existe ou não…
Questão 18: Sabes brincar contigo e rir com quem brinca contigo? Sem ironias.
Sim, sei, sem dúvida.
Questão 19: Quais são os teus maiores defeitos?
Txey… tantos… quase de davam para mais postes dos que os que já aqui tenho no blog… Brinco, a maioria deles são psicológicos e os que não são, são relativos :D Talvez teimosa, fria, distante em certos aspectos, a minha estupidez de continuar mesmo quando me dói, masoquismo, criar defeitos em mim onde eles nem existem… e por ai… apesar de ter vezes que alguns deles qualifico como virtudes. Talvez daquelas virtudes meio defeituosas, ou com alguns defeitos :P
Questão 20: Em que aspectos te elogiam e/ou achas ter potencialidades e mesmo orgulho nisso?
Há quem diga que sou mais madura do que a minha própria idade, (continuo a achar que isto da idade é quase sempre se não é sempre psicológica e se não for é de certo relativa); responsável; a escrita; musica; desenho; fotografia; o meu cabelo :X ; a minha forma de animar as pessoas quando estão em baixo mesmo estando eu também assim; a minha banalidade de acreditar que vale a pena quando os outros já desistiram; o meu optimismo quando tudo à minha volta se tornou pessimismo; o facto de quando nervosa estou desatar a rir e fazer rir quem mais nervoso está comigo; a minha outra banalidade de conseguir deixar alguém sem palavras; a minha criatividade quando já tudo se esgotou em cansaço; a minha outra banalidade de mesmo ao longe já conseguir distinguir quais são os barcos que se encontram em alto mar e ou no porto; a minha adrenalina debaixo de agua armada em peixa :D ; a minha paciência; a minha ironia/sarcasmo; a chuva, orgulho-me de me orgulhar de adorar andar à chuva e observar reflexos em tudo o que os possa possuir; o meu olhar; e muitos mais…
Questão 21: Entre uma televisão, um computador e um telemóvel, o que escolherias?
Tss… Talvez o telemóvel… e em segundo a televisão… ou talvez não…
Questão 22: Elogias ou guardas para ti?
Elogio.
Questão 23: Tens humildade suficiente para te desculpar, sem ser indirectamente?
Tenho.
Questão 24: Consideras-te, de grosso modo, uma pessoa sensível ou pragmática?
Sensível, às vezes até de mais.
Questão 25: Perdoas com facilidade?
Depende. Mas isto é como aquela história do Joãozinho e os pregos. Que consiste em:
O miúdo portava-se normalmente mal, então o profe decidiu dar-lhe um martelo, alguns prego e uma tábua para que este pregasse um prego como símbolo dos dias que ele se ia portando mal.
2ªf o Joãozinho portou-se mal, 3ªf de igual modo, na 4ªf a mesma coisa, na 5ªf também, e lá ia pregando os pregos consoante os dias anteriores… 6ªf o Joãozinho portou-se bem… no sábado e no domingo também e por ai fora, até que o profe decidiu dizer-lhe que derivado ao seu comportamento nas ultimas semanas ele podia retirar os pregos da tábua.
E lá foi ele todo contente retirá-los, ao que o profe lhe captou a atenção quando lhe disse que reparasse na tábua.
Esta encontrava-se agora sem os pregos, mas com os respectivos buracos feitos anteriormente pelos ditos pregos agora retirados.
Com isto o profe quis dizer-lhe que, apesar de pedirmos desculpas pelo que fazemos e ou perdoarmos tais momentos, estes ficam para sempre gravados, como os buracos na tábua deixados pelos pregos noutrora…
E… é mais ou menos isto que quero dizer com o meu “Depende”.
Questão 26: Qual o teu maior pesadelo ou o que mais te preocupa?
Hmm… Talvez o de vir a tirar o curso errado futuramente… Nem sei ao certo.
…
Passo o mesmo desafio à Arguinha.
sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010
Meu pedaço d’alma reluzente…
Meu pedaço d’alma reluzente…
Um Banco...

Sinto a tua falta...
(…)
Para ti posso ter sido, ser ou vir a ser apenas um banco onde te sentas porque te sentes cansado da caminhada e nele precisas de restabelecer força...Mas, para mim, tu sempre serás a minha constelação...O meu primeiro amor a quem jamais disse, mas sempre senti no interior de minh'alma esta grita o quanto gosto de ti.
…
Hoje fui até ao meu antigo blog e deparei-me com um poema que tinha escrito já há dois anos e tal.
Aqui… aqui está parte dele, ou pequenas partes.
Banal é ver as pessoas entrarem nas nossas vidas e irem-se sem se despedir, mas também de que serve despedir-nos de algo ou alguém? Ninguém é de ninguém. Todos nascemos para o mundo, para aquela grande esfera que aos poucos tanto construímos como destruímos, como destroem, como… enfim.
Acho que por mais que me tivesse despedido de ti, jamais me despediria das recordações que juntos criamos.
Foste o meu maior musa e tal como há dois anos atrás, hoje se contigo me deparo na rua, estagna-se algo em mim. Algo que nem eu sei explicar.
O quão és belo, o quão me fazes estremecer por dentro só pela tua presença estar no mesmo espaço que a minha… A tua voz… O teu olhar… O teu jeito… TU, simplesmente, TU.
Acordar após uma noite de sono onde contigo sonhei…
Olhar um certo actor e continuar a achar ele parecido contigo quando todos dizem que não…
Reler o que para ti escrevi…
As nossas conversas ou melhor, “divagos amorosos” como lhes chamavas tu…
Recordar as madrugadas que para mim cantavas…
A Vida é feita de recordações…
TU… TU és uma delas na minha caixinha de recordações que guardo num cantinho da minha vasta alma.
E como ela é vasta…
quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010
Sem titulo # 2
(Tenta ler ao som da musica... enquanto esta acompanha cada palavra, cada sentimento colocado em cada frase...)
- Porquê?! Hem?! Que te passa pela cabeça? Diz-me! – Questionas-me enquanto agarras-me nos braços e tentas olhar-me nos olhos.
- Deixa-me! - Tusso mais forte. – Deixa-me…
Abraças-me subitamente enquanto tremo cada vez mais.
Apesar do frio da maré, das roupas encharcadas, sinto o calor do teu corpo junto ao meu.
- Que te passou pela cabeça para tentares fazer isso?
Nem me atrevo a responder-te.
- Olha para mim… fala comigo. Porque sufocas isto tudo dentro de ti?
- Zé… - Desato a chorar. – Deixa-me, por favor, deixa-me. – Soluço.
- Nunca, sabes bem que nunca te deixarei, muito menos agora. Aqui, enquanto permaneces em pleno descontrolo.
- Eu não suporto isto! Eu…
- Vem. – Pegas-me ao colo. – Vamos para casa.
…
Não me recordo de quanto tempo levamos até chegarmos a casa. Acordo, já de camisa de noite sobre a cama do nosso quarto, sobre a nossa cama.
Vejo-te ali, ali junto à janela a observar para lá dos vidros, com um ar pensativo.
Levanto-me sem fazer barulho e abraço-te. Seguras-me firme junto a ti, o que faz com que ouça o palpitar do teu coração a acelerar quase em uníssono com o meu.
- Desculpa-me. Eu sei que… que o que fiz não foi correcto, mas…
- Não há “mas…” nem meio “mas…”. Simplesmente, não foi correcto e pronto. E não, não te vou julgar, nem massacrar por tal coisa. Apenas peço-te: não me deixes, não cometas tal erro outra vez.
Baixo o rosto.
- Não sabes o quão foi sufocante ver-te ali em alto mar, inconsciente, no meio daquele remexer todo, sem saber como sair do meio dali, daquilo, sem saber como tirar-te dali para voltar a poder abraçar-te, ter-te como te tenho aqui, agora, comigo, junto a mim. A sensação de quase inútil, a sensação de que quase te perdi, …, por isso, não, não me deixes, nem tentes fazer tal coisa outra vez.
Abraço-te, abraças-me… abraças-me como se não houvesse um depois, como quem agarra o que mais tema perder.
Sussurro-te:
- Desculpa, meu Amor.
- Não te quero perder. Eu preciso de ti, TU fazes parte de mim. A ideia de te perder, é como perder parte de mim.
As lágrimas correm-nos enquanto os nossos lábios se juntam num logo beijo e culminar de sensações.
E… como são quentes os teus lábios…
Simplesmente, Não.
Duas décadas, uma semana e algumas horas…
Manias e manias e mais manias… que não entendo, que não te sei explicar mas que, mesmo soberbas e banais, faço-as.
Viro-me para a parede, encosto a cabeça à mesma e ali fico a tentar acalmar-me…
NÃO!
Não entendo, NÃO SUPORTO sequer…
A minha cabeça permanece numa revolução, numa mistura…
God…
Sinto uma frieza, uma raiva, uma forte vontade de derrubar tudo, de, simplesmente, bater com a cabeça.
PÁRA! Pára… é tudo o que te peço.
Faz com que isto passe.
Faz com que isto pare…
Não suporto…
Não suporto esta porra, esta banalidade, simplesmente, não.
Não me venham dizer que “Vai correr tudo bem!” “Temos que ter calma!”
Como é que vai correr tudo bem? Como é que alguém consegue continuar a usar mascara nesta altura?
Não me venham dizer que “Não é preciso!”
Não é preciso porquê?!
Fui estúpida? Fui fria de mais ao ser frontal e ter dito que o medico fosse direito com as palavras, que as dissesse?
“Tentativa de suicídio”
Ela, sim, ela, ela simplesmente tento suicidar-se e não, não foi a primeira vez que o vez.
E eu, sim, eu, eu não suporto a ideia, não suporto mais ouvir as mesma ameaças que vai voltar a tentar, que quando menos esperarem vai fazê-lo, que quando estiver sozinha vai…
Oifghewnlaicgu2stxdfgn…. SUFOCO!
A minha cabeça… na minha cabeça a revolução é tão vasta, que…
Apetece-me não gritar, mas sim berrar…
Apetece-me não encostar a cabeça à parede, mas bater…
Apetece-me ir até à beira-mar, sentir o gelo da maré e olhar o céu… ficar ali a ver as nuvens a movimentarem-se suavemente sobre a minha cabeça enquanto o frio da maré vai e vem e torna a ir e a vir enquanto eu… eu simplesmente tento acalmar-me.
Não, não quero que ninguém fale comigo, não quero eu sequer falar com alguém. Só quero esquecer, só quero não pensar, só quero acalmar-me, só quero não ter que usar mascara e dizer que está tudo bem quando não está.
Sinto-me cansada, dói-me a cabeça, tenho o corpo gelado, as veias das mãos no seu soberbo realço, uma das mãos com uma nódoa negra, os olhos rasos e tremo, só não sei se de nervos ou de frio.
Eu não a quero perder.
Ontem… ontem ao vê-la ali, deitada naquela cama do hospital ligada àquelas maquinas com a probabilidade de ter um ataque súbito e puff…
Não sei… puff… senti uma vontade de nem estar ali, mas por outro lado não queria sair dali. Queria olhá-la, vê-la, mas por outro lado, uma parte de mim não queria… uma mistura de sentimentos, sensações, de não sei o quê…
A noite foi vasta, nem consegui dormir direito, acordava, olhava para o relógio e mais parecia que tinham colocado o tempo em modo “lento, muito lento…”, fez-me lembrar a noite em que ela desapareceu e o dia custou tanto a clarear…
Ela teve alta e a rotina voltou, os mesmos comentários tortos e tudo…
No work, houve um momento esta tarde que parei e nem sabia sequer o que estava a fazer… pairou-se no ar um vazio, olhava e olhava à minha volta e nada. Nada… NADA, ali… nada, um vazio, um sei lá, que nome dou a isto?! Que faço?! Que devo fazer?! Que devo dizer ou não dizer?! Como devo reagir perante uma situação destas?!
Suspiro…
Não, não sei se quero respostas, nem sei o que quero… talvez só queira neste momento adormecer rápido sem pensar…
terça-feira, 16 de fevereiro de 2010
Porto de Embarcações

Acordo com o soar do zumbido da vibração do telemóvel na mesa-de-cabeceira, atendo e:
- Espero por ti junto ao “Porto de Embarcações”…
Desligo a chamada sem pensar, tendo a noção que ainda ouvi a tua respiração do outro lado antes de desligar.
Viro-me para o lado e observo a luz que já brota da janela. Enrosco-me um pouco mais nos lençóis que, apesar do frio matinal, ainda estão quentinhos. Fecho os olhos e, subitamente, levanto-me da cama.
Preparo-me para sair, saco a chave de casa e o mp3, tranco a porta e sigo pelas escadas do prédio. Desço-as e, ao chegar à porta de entrada, reparo que começara a chover há momentos antes. Sem hesitar abro a porta e saio, começando a minha corrida matinal mas recusando-me a ligar o mp3, basta-me o som das gotas que já me embalam e convidam a continuar o percurso… O mesmo percurso de sempre.
Acelero um pouco mais o passo e a chuva parece que me acompanha na velocidade. Sigo pelo jardim, cada vez mais aviando o passo até que paro sem abrandar antes a corrida, inclino-me para a frente para tentar normalizar a respiração e, ao voltar a endireitar-me, sinto o teu respirar junto ao meu ouvido enquanto me sussurras:
- Qualquer sítio onde te encontro é o Nosso Porto de Embarcações…
- Ai sim? Tão, dizes-me lá porquê.
- Mesmo sabendo que já tu o sabes? – Perguntas-me.
Lanço-te um olhar como quem diz que sim e abraçamo-nos enquanto a chuva continua a cair sobre nós.
- Vamos para casa… – sugeres.
- Não antes de comprarmos algo para o pequeno-almoço.
No caminho para casa, paramos na pastelaria do costumo, quando ainda nem sete horas da manhã batem. Compramos uns donuts e seguimos o resto do caminho de mão dada enquanto ainda chove.
Chegamos a casa e o silêncio parece que nos acompanha enquanto nos dirigimos para um banho quentinho.
Acaricias-me o rosto enquanto suavemente te beijo a mão, deixamo-nos levar… quando já não caem as gotas de chuva sobre nós mas sim as do chuveiro. Enquanto estas nos percorrem o corpo contemplamo-nos num entrelaçar de corpos…
Eis mais um Porto de Embarcações, onde as nossas almas se permutuam numa perfeita imperfeição de mistura unificada que cai e cresce sobre e em nós, como se nada mais fizesse sentido para além do que sentíamos quando embarcamos neste nosso porto...
Cada toque, gesto, movimento, cada suspiro intenso parece mais cúmplice do que o anterior e menos que o seguinte e, entregues a nós, entregues um ao outro, acabamos por fazer amor…
Quando parece que a chuva lá fora abranda com o regatear dos minutos, já deitados, tendo sobre nós os lençóis que nos deleitam as nossas formas corporais enquanto nos mantêm aconchegados, longe do chuvisco que outrora nos molhava, agora, observamo-nos enquanto o silêncio ainda paira no ar.
Silêncio que é quebrado, muitas vezes, por um suspiro mais longo e profundo quando olhos nossos se fitam, quando tu tentas alcançar, num só toque, o que sempre escondo depois de fazermos amor.
- Porquê enroscaste dentro de ti quando em mim o podes fazer?
Baixo o olhar enquanto me perguntas.
- Não te sou estranho, não sou ninguém que acabaste de conhecer, muito pelo contrário.
- Eu sei…
- Tão, porque foges de mim depois de fazermos amor?
- Estou aqui, não estou? Logo, não estou a fugir. – Retorquiu-te.
- Sabes que não é a isto que me refiro.
- Que queres que te diga?
- Nada… deixa-me apenas sentir-te, tocar-te sem que tentes esconder-te.
- Mas tu sabes que... – interrompes.
- Que não gostas, sei… Que preferes ficar apenas a trocar olhares em perfeita cumplicidade. – Acaricias-me o rosto – Quero-te tanto…
Desces a mão pelo meu rosto fazendo deslizar em direcção ao meu peito. Passas-me a mão no meio dele e sustento a respiração por momentos… Subitamente agarro na tua mão e suspiro enquanto viro o rosto para o outro lado.
- Olha para mim…
Abano a cabeça enquanto as lágrimas caem-me pelo rosto.
- Que temes tu? Achas que alguma vez te irei deixar por isto?
Finto-te o olhar enquanto te pergunto:
- E se tiver que ser mesmo operada, se tiver que recorrer a uma cirurgia, vais continuar a olhar-me como me olhaste até agora?
- Eu Amo-te! E tal como não hesito em dizê-lo, não vou hesitar em olhar-te como sempre te olhei! Desde a primeira vez que me salvaste, desde a primeira vez que me agarraste em alto mar e levaste-me em teus braços para terra, me reanimaste e me sorriste com os olhos vidrados tal como agora. Olhos que, tal como naquele momento, reflectem-me neles. Não será isto que me fará deixar de te amar. Quantas vezes voltei eu ao mesmo sítio onde me salvaste pela primeira vez na esperança de te voltar a encontrar? Quantas vezes? Achas que foi apenas porque me salvaste? Não! Foi porque foi em teus braços que senti o que nunca tinha sentido antes… Senti-me vivo e foi pelo “pedaço d’alma”, como costumas dizer, – rimo-nos juntos por momentos – …foi pelo “pedaço d’alma” que abdicaste de ti por mim, para me fazeres renascer que voltei lá. E tal como um puzzle precisa de todas as peças para ficar inteiro, eu preciso de ti para ficar completo.
Sorrio para ti e enquanto te abraço sussurro-te:
- Meu pedaço d’alma reluzente – suspiro enquanto te abraço mais forte – complementas-me também.
E como uma perfeita imperfeição de mistura unificada, voltamos a embarcar nos braços um do outro voltando assim a fazer amor, adormecendo após tal momento de entrega.
…
Do nada um cheiro a café paira no ar. Abro os olhos e:
- Pensei que, talvez, precisássemos de recarregar as forças. – Elucidas-me.
- Então chega mais pertinho de mim… – e ao aproximares beijo-te suavemente – tu é que és o meu alento maior. – Mordo o meu próprio lábio enquanto te sorrio.
- Gosto de te sentir, de te ver assim…
- Assim como? Com ‘fomecas’?
- Bem Amor. Com esse sorriso que upa upa… deixa qualquer um com vontade de…
De sobrancelha meio elevada pergunto-te:
- De…?
- De te morder muarrr – ‘saltas-me’ para o pescoço.
- Tão? Cuidado, ainda entornas isto tudo e olha que o café está quente. – Deixo escapar um sorriso enquanto me encolho.
- Pronto… pronto… estou calmo, ufa... tu… vou-te contar. – Piscas-me o olho.
- Parvo – sorri para ti.
- E agora ela chama-me nomes, boa, amei! Mas, posto isto, diga-me lá a menina: que vai querer primeiro?
- Uma vida eterna para te amar…
Levantas o rosto, olhas para mim e respondes:
- Tão pois que assim seja, que nossas almas se tornem imortais e que mesmo após o último suspiro desses corpos nunca nos falte a brisa para nos voltar a guiar um ao outro. – damos as mãos, entrelaçamos os nossos dedos enquanto assim o declaras.



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