sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010
Meu pedaço d’alma reluzente…
Meu pedaço d’alma reluzente…
Um Banco...

Sinto a tua falta...
(…)
Para ti posso ter sido, ser ou vir a ser apenas um banco onde te sentas porque te sentes cansado da caminhada e nele precisas de restabelecer força...Mas, para mim, tu sempre serás a minha constelação...O meu primeiro amor a quem jamais disse, mas sempre senti no interior de minh'alma esta grita o quanto gosto de ti.
…
Hoje fui até ao meu antigo blog e deparei-me com um poema que tinha escrito já há dois anos e tal.
Aqui… aqui está parte dele, ou pequenas partes.
Banal é ver as pessoas entrarem nas nossas vidas e irem-se sem se despedir, mas também de que serve despedir-nos de algo ou alguém? Ninguém é de ninguém. Todos nascemos para o mundo, para aquela grande esfera que aos poucos tanto construímos como destruímos, como destroem, como… enfim.
Acho que por mais que me tivesse despedido de ti, jamais me despediria das recordações que juntos criamos.
Foste o meu maior musa e tal como há dois anos atrás, hoje se contigo me deparo na rua, estagna-se algo em mim. Algo que nem eu sei explicar.
O quão és belo, o quão me fazes estremecer por dentro só pela tua presença estar no mesmo espaço que a minha… A tua voz… O teu olhar… O teu jeito… TU, simplesmente, TU.
Acordar após uma noite de sono onde contigo sonhei…
Olhar um certo actor e continuar a achar ele parecido contigo quando todos dizem que não…
Reler o que para ti escrevi…
As nossas conversas ou melhor, “divagos amorosos” como lhes chamavas tu…
Recordar as madrugadas que para mim cantavas…
A Vida é feita de recordações…
TU… TU és uma delas na minha caixinha de recordações que guardo num cantinho da minha vasta alma.
E como ela é vasta…
quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010
Sem titulo # 2
(Tenta ler ao som da musica... enquanto esta acompanha cada palavra, cada sentimento colocado em cada frase...)
- Porquê?! Hem?! Que te passa pela cabeça? Diz-me! – Questionas-me enquanto agarras-me nos braços e tentas olhar-me nos olhos.
- Deixa-me! - Tusso mais forte. – Deixa-me…
Abraças-me subitamente enquanto tremo cada vez mais.
Apesar do frio da maré, das roupas encharcadas, sinto o calor do teu corpo junto ao meu.
- Que te passou pela cabeça para tentares fazer isso?
Nem me atrevo a responder-te.
- Olha para mim… fala comigo. Porque sufocas isto tudo dentro de ti?
- Zé… - Desato a chorar. – Deixa-me, por favor, deixa-me. – Soluço.
- Nunca, sabes bem que nunca te deixarei, muito menos agora. Aqui, enquanto permaneces em pleno descontrolo.
- Eu não suporto isto! Eu…
- Vem. – Pegas-me ao colo. – Vamos para casa.
…
Não me recordo de quanto tempo levamos até chegarmos a casa. Acordo, já de camisa de noite sobre a cama do nosso quarto, sobre a nossa cama.
Vejo-te ali, ali junto à janela a observar para lá dos vidros, com um ar pensativo.
Levanto-me sem fazer barulho e abraço-te. Seguras-me firme junto a ti, o que faz com que ouça o palpitar do teu coração a acelerar quase em uníssono com o meu.
- Desculpa-me. Eu sei que… que o que fiz não foi correcto, mas…
- Não há “mas…” nem meio “mas…”. Simplesmente, não foi correcto e pronto. E não, não te vou julgar, nem massacrar por tal coisa. Apenas peço-te: não me deixes, não cometas tal erro outra vez.
Baixo o rosto.
- Não sabes o quão foi sufocante ver-te ali em alto mar, inconsciente, no meio daquele remexer todo, sem saber como sair do meio dali, daquilo, sem saber como tirar-te dali para voltar a poder abraçar-te, ter-te como te tenho aqui, agora, comigo, junto a mim. A sensação de quase inútil, a sensação de que quase te perdi, …, por isso, não, não me deixes, nem tentes fazer tal coisa outra vez.
Abraço-te, abraças-me… abraças-me como se não houvesse um depois, como quem agarra o que mais tema perder.
Sussurro-te:
- Desculpa, meu Amor.
- Não te quero perder. Eu preciso de ti, TU fazes parte de mim. A ideia de te perder, é como perder parte de mim.
As lágrimas correm-nos enquanto os nossos lábios se juntam num logo beijo e culminar de sensações.
E… como são quentes os teus lábios…
Simplesmente, Não.
Duas décadas, uma semana e algumas horas…
Manias e manias e mais manias… que não entendo, que não te sei explicar mas que, mesmo soberbas e banais, faço-as.
Viro-me para a parede, encosto a cabeça à mesma e ali fico a tentar acalmar-me…
NÃO!
Não entendo, NÃO SUPORTO sequer…
A minha cabeça permanece numa revolução, numa mistura…
God…
Sinto uma frieza, uma raiva, uma forte vontade de derrubar tudo, de, simplesmente, bater com a cabeça.
PÁRA! Pára… é tudo o que te peço.
Faz com que isto passe.
Faz com que isto pare…
Não suporto…
Não suporto esta porra, esta banalidade, simplesmente, não.
Não me venham dizer que “Vai correr tudo bem!” “Temos que ter calma!”
Como é que vai correr tudo bem? Como é que alguém consegue continuar a usar mascara nesta altura?
Não me venham dizer que “Não é preciso!”
Não é preciso porquê?!
Fui estúpida? Fui fria de mais ao ser frontal e ter dito que o medico fosse direito com as palavras, que as dissesse?
“Tentativa de suicídio”
Ela, sim, ela, ela simplesmente tento suicidar-se e não, não foi a primeira vez que o vez.
E eu, sim, eu, eu não suporto a ideia, não suporto mais ouvir as mesma ameaças que vai voltar a tentar, que quando menos esperarem vai fazê-lo, que quando estiver sozinha vai…
Oifghewnlaicgu2stxdfgn…. SUFOCO!
A minha cabeça… na minha cabeça a revolução é tão vasta, que…
Apetece-me não gritar, mas sim berrar…
Apetece-me não encostar a cabeça à parede, mas bater…
Apetece-me ir até à beira-mar, sentir o gelo da maré e olhar o céu… ficar ali a ver as nuvens a movimentarem-se suavemente sobre a minha cabeça enquanto o frio da maré vai e vem e torna a ir e a vir enquanto eu… eu simplesmente tento acalmar-me.
Não, não quero que ninguém fale comigo, não quero eu sequer falar com alguém. Só quero esquecer, só quero não pensar, só quero acalmar-me, só quero não ter que usar mascara e dizer que está tudo bem quando não está.
Sinto-me cansada, dói-me a cabeça, tenho o corpo gelado, as veias das mãos no seu soberbo realço, uma das mãos com uma nódoa negra, os olhos rasos e tremo, só não sei se de nervos ou de frio.
Eu não a quero perder.
Ontem… ontem ao vê-la ali, deitada naquela cama do hospital ligada àquelas maquinas com a probabilidade de ter um ataque súbito e puff…
Não sei… puff… senti uma vontade de nem estar ali, mas por outro lado não queria sair dali. Queria olhá-la, vê-la, mas por outro lado, uma parte de mim não queria… uma mistura de sentimentos, sensações, de não sei o quê…
A noite foi vasta, nem consegui dormir direito, acordava, olhava para o relógio e mais parecia que tinham colocado o tempo em modo “lento, muito lento…”, fez-me lembrar a noite em que ela desapareceu e o dia custou tanto a clarear…
Ela teve alta e a rotina voltou, os mesmos comentários tortos e tudo…
No work, houve um momento esta tarde que parei e nem sabia sequer o que estava a fazer… pairou-se no ar um vazio, olhava e olhava à minha volta e nada. Nada… NADA, ali… nada, um vazio, um sei lá, que nome dou a isto?! Que faço?! Que devo fazer?! Que devo dizer ou não dizer?! Como devo reagir perante uma situação destas?!
Suspiro…
Não, não sei se quero respostas, nem sei o que quero… talvez só queira neste momento adormecer rápido sem pensar…
terça-feira, 16 de fevereiro de 2010
Porto de Embarcações

Acordo com o soar do zumbido da vibração do telemóvel na mesa-de-cabeceira, atendo e:
- Espero por ti junto ao “Porto de Embarcações”…
Desligo a chamada sem pensar, tendo a noção que ainda ouvi a tua respiração do outro lado antes de desligar.
Viro-me para o lado e observo a luz que já brota da janela. Enrosco-me um pouco mais nos lençóis que, apesar do frio matinal, ainda estão quentinhos. Fecho os olhos e, subitamente, levanto-me da cama.
Preparo-me para sair, saco a chave de casa e o mp3, tranco a porta e sigo pelas escadas do prédio. Desço-as e, ao chegar à porta de entrada, reparo que começara a chover há momentos antes. Sem hesitar abro a porta e saio, começando a minha corrida matinal mas recusando-me a ligar o mp3, basta-me o som das gotas que já me embalam e convidam a continuar o percurso… O mesmo percurso de sempre.
Acelero um pouco mais o passo e a chuva parece que me acompanha na velocidade. Sigo pelo jardim, cada vez mais aviando o passo até que paro sem abrandar antes a corrida, inclino-me para a frente para tentar normalizar a respiração e, ao voltar a endireitar-me, sinto o teu respirar junto ao meu ouvido enquanto me sussurras:
- Qualquer sítio onde te encontro é o Nosso Porto de Embarcações…
- Ai sim? Tão, dizes-me lá porquê.
- Mesmo sabendo que já tu o sabes? – Perguntas-me.
Lanço-te um olhar como quem diz que sim e abraçamo-nos enquanto a chuva continua a cair sobre nós.
- Vamos para casa… – sugeres.
- Não antes de comprarmos algo para o pequeno-almoço.
No caminho para casa, paramos na pastelaria do costumo, quando ainda nem sete horas da manhã batem. Compramos uns donuts e seguimos o resto do caminho de mão dada enquanto ainda chove.
Chegamos a casa e o silêncio parece que nos acompanha enquanto nos dirigimos para um banho quentinho.
Acaricias-me o rosto enquanto suavemente te beijo a mão, deixamo-nos levar… quando já não caem as gotas de chuva sobre nós mas sim as do chuveiro. Enquanto estas nos percorrem o corpo contemplamo-nos num entrelaçar de corpos…
Eis mais um Porto de Embarcações, onde as nossas almas se permutuam numa perfeita imperfeição de mistura unificada que cai e cresce sobre e em nós, como se nada mais fizesse sentido para além do que sentíamos quando embarcamos neste nosso porto...
Cada toque, gesto, movimento, cada suspiro intenso parece mais cúmplice do que o anterior e menos que o seguinte e, entregues a nós, entregues um ao outro, acabamos por fazer amor…
Quando parece que a chuva lá fora abranda com o regatear dos minutos, já deitados, tendo sobre nós os lençóis que nos deleitam as nossas formas corporais enquanto nos mantêm aconchegados, longe do chuvisco que outrora nos molhava, agora, observamo-nos enquanto o silêncio ainda paira no ar.
Silêncio que é quebrado, muitas vezes, por um suspiro mais longo e profundo quando olhos nossos se fitam, quando tu tentas alcançar, num só toque, o que sempre escondo depois de fazermos amor.
- Porquê enroscaste dentro de ti quando em mim o podes fazer?
Baixo o olhar enquanto me perguntas.
- Não te sou estranho, não sou ninguém que acabaste de conhecer, muito pelo contrário.
- Eu sei…
- Tão, porque foges de mim depois de fazermos amor?
- Estou aqui, não estou? Logo, não estou a fugir. – Retorquiu-te.
- Sabes que não é a isto que me refiro.
- Que queres que te diga?
- Nada… deixa-me apenas sentir-te, tocar-te sem que tentes esconder-te.
- Mas tu sabes que... – interrompes.
- Que não gostas, sei… Que preferes ficar apenas a trocar olhares em perfeita cumplicidade. – Acaricias-me o rosto – Quero-te tanto…
Desces a mão pelo meu rosto fazendo deslizar em direcção ao meu peito. Passas-me a mão no meio dele e sustento a respiração por momentos… Subitamente agarro na tua mão e suspiro enquanto viro o rosto para o outro lado.
- Olha para mim…
Abano a cabeça enquanto as lágrimas caem-me pelo rosto.
- Que temes tu? Achas que alguma vez te irei deixar por isto?
Finto-te o olhar enquanto te pergunto:
- E se tiver que ser mesmo operada, se tiver que recorrer a uma cirurgia, vais continuar a olhar-me como me olhaste até agora?
- Eu Amo-te! E tal como não hesito em dizê-lo, não vou hesitar em olhar-te como sempre te olhei! Desde a primeira vez que me salvaste, desde a primeira vez que me agarraste em alto mar e levaste-me em teus braços para terra, me reanimaste e me sorriste com os olhos vidrados tal como agora. Olhos que, tal como naquele momento, reflectem-me neles. Não será isto que me fará deixar de te amar. Quantas vezes voltei eu ao mesmo sítio onde me salvaste pela primeira vez na esperança de te voltar a encontrar? Quantas vezes? Achas que foi apenas porque me salvaste? Não! Foi porque foi em teus braços que senti o que nunca tinha sentido antes… Senti-me vivo e foi pelo “pedaço d’alma”, como costumas dizer, – rimo-nos juntos por momentos – …foi pelo “pedaço d’alma” que abdicaste de ti por mim, para me fazeres renascer que voltei lá. E tal como um puzzle precisa de todas as peças para ficar inteiro, eu preciso de ti para ficar completo.
Sorrio para ti e enquanto te abraço sussurro-te:
- Meu pedaço d’alma reluzente – suspiro enquanto te abraço mais forte – complementas-me também.
E como uma perfeita imperfeição de mistura unificada, voltamos a embarcar nos braços um do outro voltando assim a fazer amor, adormecendo após tal momento de entrega.
…
Do nada um cheiro a café paira no ar. Abro os olhos e:
- Pensei que, talvez, precisássemos de recarregar as forças. – Elucidas-me.
- Então chega mais pertinho de mim… – e ao aproximares beijo-te suavemente – tu é que és o meu alento maior. – Mordo o meu próprio lábio enquanto te sorrio.
- Gosto de te sentir, de te ver assim…
- Assim como? Com ‘fomecas’?
- Bem Amor. Com esse sorriso que upa upa… deixa qualquer um com vontade de…
De sobrancelha meio elevada pergunto-te:
- De…?
- De te morder muarrr – ‘saltas-me’ para o pescoço.
- Tão? Cuidado, ainda entornas isto tudo e olha que o café está quente. – Deixo escapar um sorriso enquanto me encolho.
- Pronto… pronto… estou calmo, ufa... tu… vou-te contar. – Piscas-me o olho.
- Parvo – sorri para ti.
- E agora ela chama-me nomes, boa, amei! Mas, posto isto, diga-me lá a menina: que vai querer primeiro?
- Uma vida eterna para te amar…
Levantas o rosto, olhas para mim e respondes:
- Tão pois que assim seja, que nossas almas se tornem imortais e que mesmo após o último suspiro desses corpos nunca nos falte a brisa para nos voltar a guiar um ao outro. – damos as mãos, entrelaçamos os nossos dedos enquanto assim o declaras.
domingo, 31 de janeiro de 2010
Esperei...
E enquanto esperava preparava tudo, corria de um lado para o outro, arrumava uma e outra coisa para que tudo ficasse perfeito, mais perfeito do que já o era.
Até que no meio de tanta ânsia o telemóvel tocou, …, aquele som, …, aquela musica de sinal que a chamada era de um amigo…
Corri, agarrei o telemóvel e ao atender só me disserem: “- Desculpa, mas ele não vem porque perdeu o avião…”. Pum! ... Foi como se tudo disparasse ao desligar a chamada.
Tinha preparado tudo com tanto carinho para nada?
Valeu a intenção, talvez… mas não conseguia ficar ali com aquele ambiente todo, apanhei o casaco, saquei as chaves do carro e fui-me.
Enquanto conduzia sentia um sufoco, não sabia para onde ia, mas guiava e guiava, ou talvez fosse guiada para algum lado. Ao deparar-me aonde fui parar reparei que naquele sufoco todo não me tinha guiado para um simples lugar.
Não! Não fui para um simples lugar, não para um sítio qualquer, mas sim para o local onde tudo tinha começado: o nosso lugar…
Sai do carro e nem agarrei no casaco, aquela sensação de sufoco de mais uma noite sem ti fez-me perder por completo o frio, talvez perdesse o frio corporal, mas minh’alma parecia que gelava a cada segundo que passava.
Olhei o mar, …, aquele cheiro a maresia não só me entrava pelas narinas como pelo espírito inquieto que em mim permanecia.
Senti… Senti a brisa a envolver-me e desejei que fosses tu que me envolvesses em teus braços, mas não.
Dali dava para ver o fim da costa do monte e o início da praia, sabia que o tempo ia começar a escurecer, mas dali não arredei pé. Via as ondas a ir e a vir e a ir e a vir… o reflexo dos últimos raios de sol no mar e a costa ainda iluminada…
Fechei os olhos por momentos e senti a brisa a vir como se me levitasse a alma e… Aquela já não era a mesma brisa de quando fechei os olhos, aquele cheiro era diferente… era … era uma mistura não desconhecida e sem hesitar suspirei profundo e as lágrimas caíram-me pelo rosto. Era o teu perfume, virei-me e…
Ali estavas tu. Mãos nas algibeiras com aquele sorriso inimitável, calças de ganga escura e largas, sapatilhas all stars pretas, casaco de capucho e de gorro na cabeça a tapar o teu cabelinho, mas ainda notava-se as pontas saídas deste.
Baixei a cabeça e sorri, levantei-a outra vez e apenas me perguntaste: “- Hmm… será que me dás uma boleia?”
“- Para onde?”, perguntei-te.
“- Hmm… directamente para o conchego do teu coração, que me dizes?”
“- Épá, não sei. Ainda o sinto gelado, não sei se terás muito aconchego neste…”
E ao te aproximares perguntaste: “e se aquece-lo assim…?”
Num ápice agarraste-me pela anca puxaste-me mais para junto de ti e… beijamo-nos… aquele toque humedecido dos nossos lábios juntos, aquele momento prolongado, aquela mutuação de nossas almas, …, sim, fez com que o meu coração voltasse a ficar quente.
Depois olhaste-me nos olhos e com aquele ar de sempre, fazendo-se de despercebido, perguntaste: “- Será que já está mais quentinho?”.
Não tinha palavras, não sabia o que responder, tu sabias muito bem que sim.
Retribui-te o olhar, lancei-te um sorriso e abracei-te enquanto te sussurrava ao ouvido: “Tu és único…”
E ficamos ali abraçados, encostados ao carro no monte a ver os últimos raios de sol a se desvanecerem no horizonte, enquanto suava no ar aquele som do rebentar das ondas e aquela brisa do anoitecer…
sábado, 23 de janeiro de 2010
Pack #1
Soltam-se as notas e a musica preenche o espaço, preenche a sala. Soam e a cada acorde à aquela particularidade de uma parecer mais perfeita que a outra, perfeição esta que torna o cintilar destas colossal.
Encosto-me à janelas e enquanto aprecio a chuva que cai tornando as coisas mais reflectidas tu tocas. Sinto uma frieza inigualável, sensação esquisita e esfrego as mãos nos braços, apesar de mesmo gelada saber que aquela frieza não é corporal.
Continuas a tocar e começas a cantar uma das tuas musicas favoritas, do nada o som que antes agradável ouvia-se agora já não se sente, apenas sinto tuas mãos juntos aos meus braços, ao te encostares a mim perguntas:
- Que tens?
- Nada…
- Estás gelada.
- Isso já passa – sorrio-te – porque não voltas a tocar? Estavas a ir tão bem.
- De que me vale tocar se sei que não estás aqui para me ouvir? Quer dizer o estar estás, mas só em corpo presente, algo passa-se contigo – acaricias-me o rosto – sinto-o…
- Abraças-me?
- Isso nem se pergunta.
- Recebi hoje um telefonema…
- Não me digas que agora tens um admirador secreto via telefone?!
- Não, parvo…
- Que tem?! Podias ter e depois ficavas encantada com a sua voz que te fazia derreter agarrada ao telefone e…
- …e não acabaria de ouvir o telefonema, visto que com tanto derretimento o telefone escorregar-me-ia das mãos, certo?
- Tinhas que estragar tudo, nem sequer comecei a mencionar a baba já estás tu a dar final ao episódio, mesmo mazinha.
- Lá nada, isso achas tu, mas como sempre enganaste.
- Agora passando a coisas serias, …, de quem era o telefonema?
- Do hospital… - encosto-me outra vez à janela como se procura-se o resto das palavras para lá desta.
- Que disseram? Leo? – ao aproximardes de mim, tocas-me no braço – que disseram eles?
- Nada de mais, marcaram só a data para o exame. – lanço-te um sorriso vazio.
- E para quando é?
- Para daqui a uma semana.
- Irei contigo então.
- Não será necessário.
- Porquê? Porque insistes tu em fazer as coisas sozinha? Tu és forte, eu sei disto, não tens que mo provar querendo fazer as coisas sozinha. Eu estou aqui, para algo é. Quando preciso de ti, quando estou em baixo estás comigo, estás do meu lado, porque insistes agora querer estar tu só quando precisas de alguém?
- Tenho medo… - cai-me uma lágrima pelo rosto.
- Eu sei e não é só por isso que estou aqui, é também porque gosto de ti, porque te amo, porque me preocupo contigo.
- Eu sei, mas mesmo assim… mesmo assim há coisas que prefiro fazê-las só.
- Por burrice, não? Eu sei que não devia estar a ser frio contigo, não agora, mas…
- … Mas estás a sê-lo porque queres o meu bem, porque sabes que preciso de ti do meu lado, porque sabes que só estou a ser fria e…
- … forte por fora, porque por dentro estás mal.
- Sim. Sufoco de receio. – passo a mão no peito como se quisesse agarrar algo que me sufocasse.
Aproximaste mais e abraças-me, tornaste a desviar, mas mantendes te agarrado a mim, tocas-me na ponta do nariz enquanto sussurras:
- Amo-te pequenota.
Sorrimo-nos e abraçamo-nos como se o sufoco desaparecesse.
Sentaste no sofá e de costas viradas para ti encosto-me ao teu peito, enquanto tu devagarinho mexes-me no cabelo, suavemente passo a mão pelo teu braço agarrando-te na mão e entrelaçando os meus dedos nos teus, pergunto:
- Irás mesmo comigo?
- Claro que irei.
sexta-feira, 15 de janeiro de 2010
Um Piano Preto...
E depois de lá chegar parasse e suspirasse não de cansaço, mas sim de alívio.
Toco com as pontas dos dedos na porta e suavemente abro-a, …, olho a sala e parece-me vazia.
Sofás tapados com lençóis brancos, móveis igualmente tapados...
Chego perto daquela pequena luz que agora brota duma cortina quase totalmente fechada e abro-a, dando-me assim luz para a vasta sala que antes parecia vazia, mas, agora, repleta de luz.
Noto, olhando o reflexo dum espelho, que no outro lado da sala há algo não tapado, há algo que não se esconde por de trás duns lençóis brancos: um piano preto...
De repente, alguém entra pela porta com ar de frustrado, êxito e nem me mexo. Nem em mim repara, …, senta-se no banco do piano e ali na ampla sala ouve-se o seu suspirar...
“Porque suspiras tu…? De alivio? Exaustação? ” questiono-me enquanto ainda lhe observo…
Ouve-se um mero guincho da aba do piano a ser aberta por ele... Guincho que desaparece por meras notas terem sido agora começadas a tocar...
Olho-o sem me impor, ouço o que suas mãos tocam... e como estas transparecem-me serem suaves…
As notas são tocadas mais rapidamente, soam à maneira das que na pauta estão.
Som místico ouve-se quando ele pela minha presença dá.
Suspiro…
A respiração começa a acelerar-se, como se agora este momento fosse o inicial, o de quando ainda corria pelo corredor, mas, subitamente, o som místico faz-se prevalecer e prevalecer, cada vez mais forte, mais perto, mais nítido e, …, do nada, acordo com o despertador a tocar…
quarta-feira, 13 de janeiro de 2010
Dia 12
Durante o dia apenas orvalhou um pouco, mas isto no início da noite, mas mesmo assim o dia até foi agradável. O próprio sol lá espreitou um q.b.
Agora, já de noite, é que chove um pouco e o vento sopra forte como ontem.
Maré-alta que ate no muro bate…
segunda-feira, 11 de janeiro de 2010
Dia 11
Para muitos um sufoco, para mim um prazer, porque gosto mesmo de andar à chuva, de sentir as gotas e enfim…
E é isto…
Tirando a tarde passada no hospital, sem sequer contar com tal coisa, sem um livro sequer para ler… o aborrecimento, talvez proporcionado pelas dores de cabeça, pela quebra da rotina, pelo passar de pessoas em sofrimento, por encontrar familiares, por sei lá. Cansaço… talvez apenas cansaço… e cansaço acumulado com stresses da semana passada, dos últimos 5 anos, de não sei mais quê… nem de quando… das súbitas vontades de… spah… não importa… foi apenas mais uma gota no meio de tantas outras que tentam transbordar.
Enfim e enfim e enfim…
Às vezes apetece-me… puff… escapulir para… ai? Será?
Respiro… e suspiro…
Dia 10
domingo, 10 de janeiro de 2010
Dias 7, 8 e 9
Dia 8, chuviscou quase todo o dia e quando tal não acontecia, o nevoeiro caía cobrindo a vista.
Dia 9, solinho de manhã, chuvisco a meio da tarde, sol again e por fim chuva…
quinta-feira, 7 de janeiro de 2010
Dia 6
Sol, sol, sol, sol e sol durante todo o dia. Quentinho como se fosse mesmo Junho.
O mais banal? A minha súbita vontade de andar ao sol no lugar de à sombra. Logo eu que, sem sombras de duvidas, prefiro andar à chuva do que ao sol.
Mas hoje não… quis sentir o quente do sol no rosto… talvez, no fundo, quisesse sentir um toque de alguém.
Se gostei do dia?
Sim. Deu para passar pela baixa da cidade, ver os barcos, isto sim, completa-me o dia… e se completa…
Também comprei três peixinhos que já pairam e dão vida de novo ao aquário.
Fascina-me estar debaixo de água, sim, a ver os peixes, eleva-me para outra dimensão. Tal como ficar a observá-los mesmo estando eles num aquário. Acho que, no fundo, o meu signo até faz sentido.
Dia 6, se Junho for realmente como hoje, ui... que o final da escola e os exames também correm assim, bons tal como o dia de hoje.
quarta-feira, 6 de janeiro de 2010
Dia 5
Isto hoje anda muito vago. Daqueles dias que nem sabemos ao certo como começar algo e ou se começar algo.
Apetece-me escrever, simplesmente, por tópicos e por um ponto final mais rápido.
Choveu, é normal, certo?
Ok…
Suspiro e recomeço: choveu no início da manhã. Mas o tempo manteve-se firme o resto do dia, apesar de, no céu, algumas nuvens negras permanecerem e a aragem fria gelar-nos o corpo.
Depois das nuvens, ou melhor, algumas nuvens, darem folga ao céu deu para ver a costa nítida e o mar a bater-lhe e a voltar em pequenas gostas quase que como cristais.
Que me apeteceu hoje? Enfiar-me na piscina e fazer piscinas durante uma hora, aproveitar os últimos quinze minutos e fazê-las sem respirar. Mergulhar e debaixo de agua fazer piruetas e dar cambalhotas, ir ao fundo e ficar a ver o tecto, debaixo de água, a ver as pessoas a nadar e a ouvir o som mágico das gotas a cair sobre a água.
É tarde, sim, eu sei, mas ainda por aqui ando sem sono algum enquanto ouço o som das ondas a rebentarem talvez num embalar de noite…
terça-feira, 5 de janeiro de 2010
Dia 4
Com sol, lá no algo a brilhar, manteve-se toda a manhã o que dificultou um pouco a condução, mas pronto. Nada que não seja ultrapassado. Até a meio da tarde ainda brilhou. Mas subitamente a chuva chegou, fresquinha e forte. Acalmou, mas o vento ainda paira a sobrar a aragem fria, o que proporciona ouvir-se melhor o mar e a forma como as ondas rebentam, algumas com tamanha força que se ouve o som como se estas caíssem de chapa.
Dia 4, mês de Abril… será mesmo assim?
segunda-feira, 4 de janeiro de 2010
Diálogo #3
- Sinto-me stressada.
- Reparei, ainda não paraste, limpas isto e aquilo e arrumas aqui e ali e quando paras olhas à volta à procura de algo mais para te ocupares.
- Não, só o fiz porque tinha que fazer.
- Quem é que se mete a lavar a louça já perto da meia-noite?
- Tinha que ficar lavada ou não?
- Não. Que eu sabia, entras depois das 10.
- E? Ia-me levantar muito mais cedo para a lavar?
- Tens que, simplesmente, parar de ligar àquilo que os outros dizem.
- …
- Sabes que é verdade o que digo, tal como sabes que consegues.
- Não estou a dizer nada…
- Achas que não sei porque andas de um lado para o outro a tentar ocupar a cabeça? Achas que não sei que não é apenas stress mas que também te sentes é triste e desmotivada?
- Ok… calma… respira.
- Quando é que vais acreditar que consegues e que não é isto que te limita? Onde anda a miúda que corria e corria e pulava e fazia piscinas sem respirar mesmo quando lhe doía o peito? Hmm? Por onde anda ela? Diz-me que vou lá buscá-la.
- Exacto Zé, doía…
- E, mesmo assim, continuavas, porque sabias que cada vez ia doer menos, que cada vez ia ser mais fácil e, outras vezes, fazias de repisa para contigo própria, porque dizias que não era ele que te comandava, até ao ponto em que foi preciso doer-te ao máximo para pensares que não era ele que te comandava, mas que juntos comandavam um corpo. O teu corpo!
- …
- Olha para mim… olha-me nos olhos e diz que já não acreditas que consegues, diz-me que acreditas naquilo que os outros dizem, diz-me que sentes que não tens resistência para mais.
- Simplesmente, já não tenho a mesma.
- E, no início, quando começaste, tinhas?
- Não. Ok, eu sei que depois acabei por a ter com o passar do tempo.
- Exacto. Tão porque te stressas tanto só porque alguém te diz que não tens resistência e que aquilo que mais queres não é para ti?
- E se tiverem razão? E se não for mesmo para mim?
- À mais de um ano atrás conheci uma miúda. Uma miúda que foi operada, mas que já antes disto era energética…
- Parvo…
- Uma miúda que, mesmo depois de ser operada, continuou a ser energética, ou melhor, acho que até ficou mais energética. Se bem me lembro, tinha duas vezes por semana 90 minutos de educação física, duas vezes por semana uma hora de natação e que ainda se levantava aos domingos de manhã para ir correr mais de uma hora na praia. Ah, para não falar que muitas vezes depois das aulas de educação física e nos tempos livre metia-se ou a jogar basket ou futebol. Sim, também me lembro que lhe doía, mas que, mesmo assim, ela continuava a lutar para que no amanhã houvesse mais resistência.
- O tempo passa e as pessoas mudam.
- Sim, é verdade. Assim como também há gente que se torna cada vez mais casmurra. Quando o fizeres, não estás a fazer pelos outros, quando desistires, não estás a desistir dos outros, mas sim de ti própria.
- Vais-te embora?
- Hoje?
- Sim.
- Não.
- Vais ficar comigo, pelo menos até adormecer?
- Não sei, acho que não mereces.
- Ok…
- VÊS?! Tão, para que foi que andei aqui a falar isto tudo? Hem?
- Ouhts… calma, só acho que tens razão, que talvez não mereça.
- E mesmo assim não pedes para ficar?
- Perguntei-te se ficavas, certo?
- Mas não insistes.
- E tenho?
- Nem sempre, às vezes basta um olhar teu.
- …
- Psst…
- Sim…
- Vou ficar.
- Já percebi que sim.
- Estás a ser fria…
- Não, estou a ser eu própria.
- Ah, pois, sim, claro. Tu própria? Sim, sim… sim… óbvio.
- …
- Uma pena?
- Não… um aconchego de almas?
- Mereces?
- Hmm… mesmo que não mereça, vais embora sem o dar?
- Sabes que não.
- Então posso adormecer nos teus braços?
- Enquanto te sussurro que és teimosa?
- Achas que não sei isto?
- Há tanta coisa que sabes e esqueces que sabes e ou até mesmo fazes que esqueces…
- És-me único, disto não me esqueço.
- És-me… deixa cá vez…
- O teu…
- Pedaço d’alma mais reluzente?
- Sinhe…?
- Sinhe, parvinha.
- Desculpa ser teimosa.
- Acho que deves este pedido de desculpas a ti própria e não a mim.
- …
- Chega cá, anda…
- Aconchego de alma?
- Só se for a noite inteira.
- Toda, toda, toda?
- Até mesmo depois de nos ser dado a dádiva de vermos o dia clarear ainda nos braços um do outro no quentinho dos lençóis.
- Fazes-me feliz…
- E tu a mim… e tu a mim pequenina…
[Boa noite*]
Dia 3
Manhã quase calma, o sol lá espreitou, mas, mesmo assim, com o vento ainda a soprar forte e o mar a bater no muro, a chuva lá aparecia e desaparecia, mas continuou a dar algum espaço a alguns raios de sol.
À tarde voltou a visitar-nos, mas não tão forte como no decorrer da noite anterior.
Agora, já de noite, chuvisca, lá fora o vento corre frio, pronto a congelar narizinhos e mãos que sem o aconchego das luvas permanecem.
Será que Março será assim ou haverá dias em que a chuva nem passará por perto?
domingo, 3 de janeiro de 2010
Vou… ou melhor, Vamos!
Eu – Vou chegar a casa, cansada do trabalho. Vou fazer um pequeno e simples jantar, abrir uma garrafa de vinho e tomá-lo enquanto preparo e depois janto.
Tu – Sozinha?
Eu – Sim. Depois vou tomar um banho… um banho longo com água quente a deleitar-me o corpo cansado. Após o banho, vou enrolar-me na tolha e depois, de pegar o violão, deixá-la. Vou sentar-me na cama e tocar…
Tu – E neste momento, posso eu tocar-te à campainha?
Eu – Também vais querer tomar um banhinho?
Tu – E depois tocar eu para ti…? Sim.
Eu – Então abrir-te-ei a porta e, enquanto tomares banho, esperarei por ti junto à cama enrolada num lençol de cetim cinzento.
Tu – Depois do banho vou eu pegar o violão e tocar para ti e, em cada acorde, um pouco de mim…
Eu – Fará minh’alma vibrar… e… e ao sentir tal rubrica abraçar-te-ei.
Tu – E, neste momento, beijar-te-ei e…
Eu e Tu – Entregues a nós mesmo e um ao outro faremos amor…
Tu – E após tal momento…
Eu – Adormeceremos nos braços um do outro num mutuar de almas…
sábado, 2 de janeiro de 2010
Caixinha das memórias #1
Da caixinha das memórias retirei de lá uma música que já não ouvia, pode-se dizer, à uns anitos.
Diga-se de passagem que os olhinhos do Tim Akkerman estão no ponto neste vídeo clip, até despertou-me a vontade de desenhá-los, mas… nop, ando a dar folga ao tema desenho :X
Dia 2
Pelo que reparei de manhãzinha o sol lá espreitou, mas a chuva chegou depois para fazer o seu servicinho, mas lá abrandou e à tarde voltou a vir e a ir e a vir e ir, enfim, por enquanto o tempo está calmo.
O mar chegou a bater aqui no muro e os surfistas lá se fizeram às ondas.
Isto fez-me lembrar da vez em que um sujeito ficou com o parapente preso na figueira e na roldana que temos no quintal. Cá para mim ele deve ter pregado uma forte cacetada na parede, que ui, não deve ter doido pouco, não, mas pronto, lá subi ao muro e ajudei-lhe, enquanto ele apenas me dizia: “ohh…ohh…” ok, já tinha entendido que ele não falava português não sou assim tãoooooooooo naba, mas também não estava ali para conversar, apenas para o ajudar.
Banal, banal mesmo foi a minha expressão hoje enquanto conduzia. Reparei num sujeito a fazer jogging pelo passeio, o que me lembrou que também tenho que recomeçar os meus exercícios apesar de diariamente andar mais do que corro quer na praia quer no calçadão. Mas, naquele instante, o dito sujeito engatou os pés não sei em quê e quase se estampou no chão e a minha expressão foi: “wey caraças!” e fiz um gesto com a mão como se pudesse agarrá-lo ou evitar que caísse. Depois, simplesmente, desatei a rir com a minha figura de parva.
Ao menos ele não caiu :/
Estava agora a fazer zapping e ao passar pela SIC estava a dar a novela Perfeito Coração, onde a personagem Humberto falava, epah, não sei porquê mas a voz dele faz-me lembrar um desenho animado, só não me recordo qual.

